
Hoje não vou falar das minhas angústias, nem da solidão que sinto dia após dia, noite após noite. Também não vou falar das lágrimas que me rolam pela face abaixo, sem nada poder fazer para as deter. Também não te vou falar das minhas noites sem dormir e nem das recordações, as boas que me assolam a mente e me povoam o pensamento a todo o instante. Nem sequer vou falar, da saudade que me corrói a alma e me consome a lucidez a ponto de não saber qual o limite entre a loucura e a sanidade. Mas vou falar de uma coisa que talvez ainda não saiba e que eu sei. Assim como também sei que é indiferente! Vou falar da beleza e da grandeza das coisas mais simples da vida. Como um simples piar de um pássaro, feliz pela chegada do amanhecer...Ou o som do borbulhar de um regato, que corre livre pelo caminho que lhe traçou o seu destino. Ou ainda o sorrir de uma criança, contente pela descoberta de algo que a fez feliz ali, naquele instante. É, são coisas simples, que nada dizem, mas que fazem toda a diferença entre o ser e o parecer. O ser que sente... e o ser que finge sentir! O ser indiferente... e o ser que marca pela diferença! Saberá porventura, o que um coração sente quando se torna indiferente, ao ser que o tomou pelo encanto, um dia? Talvez não saiba, talvez nem nunca o venha saber.