Numa outra vida fui um golfinho a brincar na crista das ondas, sorrindo cáries e bafos de maresia enquanto o céu desmaiava em reflexos ondulantes, na limpidez do mar. Não sei se ele morreu ou se pura e simplesmente se exilou da vida. Penso saber, mas é incerto, sera agora o que resta dessa vida longínqua. Desse sopro de vento aprisionado com guilhotinas de sal, nos olhos cintilantes desse golfinho incorporal. Quem sou e para o que vim? Trucido a mente com inquietações mirabolantes só porque a almofada onde adormeço é de duvidosa matéria relaxante. Por mais que me esforce para iluminar as minhas dúvidas, as velas apagam-se no beijo de judas, de um vento ancestral, que teima em não se mostrar. Por mais que procure apenas encontro algumas respostas, encarceradas num porta-chaves ferrugento, que esqueci na alma dessa menina igualmente proscrita que teima em deambular dentro de mim com os seus passos incertos. Na infância, os meus olhos ávidos de planícies verdejantes, mostraram-me vampiros nas escuras e nauseabundas esquinas, a sugar o sangue de vítimas ocasionais, e eu com a inocência de uma borboleta esfaimada, teimei em desenhar com a imaginação em flor, uma pomba branca a esbarrar-se contra o horizonte e a transformar aquele bicho asqueroso, num belo candeeiro a sorrir para o teto. Hoje o reumático a sorrir-me da tíbia, me desvendou o segredo. Sou a saudade.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Enfim ...
Numa outra vida fui um golfinho a brincar na crista das ondas, sorrindo cáries e bafos de maresia enquanto o céu desmaiava em reflexos ondulantes, na limpidez do mar. Não sei se ele morreu ou se pura e simplesmente se exilou da vida. Penso saber, mas é incerto, sera agora o que resta dessa vida longínqua. Desse sopro de vento aprisionado com guilhotinas de sal, nos olhos cintilantes desse golfinho incorporal. Quem sou e para o que vim? Trucido a mente com inquietações mirabolantes só porque a almofada onde adormeço é de duvidosa matéria relaxante. Por mais que me esforce para iluminar as minhas dúvidas, as velas apagam-se no beijo de judas, de um vento ancestral, que teima em não se mostrar. Por mais que procure apenas encontro algumas respostas, encarceradas num porta-chaves ferrugento, que esqueci na alma dessa menina igualmente proscrita que teima em deambular dentro de mim com os seus passos incertos. Na infância, os meus olhos ávidos de planícies verdejantes, mostraram-me vampiros nas escuras e nauseabundas esquinas, a sugar o sangue de vítimas ocasionais, e eu com a inocência de uma borboleta esfaimada, teimei em desenhar com a imaginação em flor, uma pomba branca a esbarrar-se contra o horizonte e a transformar aquele bicho asqueroso, num belo candeeiro a sorrir para o teto. Hoje o reumático a sorrir-me da tíbia, me desvendou o segredo. Sou a saudade.